Estava prestes a abrir o alçapão. Vestido para adorar, vestido para sufocar, vestido para acarinhar, vestido somente para estar. A madeira abre-se rugindo da escuridão, o que o ar fresco das profundidades abafa. Começa a descer as escadas até que a sua testa bate na parte debaixo do alçapão, donde retira cada filamento de cabelo que pôs no seu corpo e faz uma teia, encurralando a abertura, fechando o pedaço de madeira a seguir. Com a candeia inflamada de fogo começa a descer o caracol em espiral até ao fundo do poço. Devagar saboreando as raízes que saem de cada espessura entreaberta nas paredes. No fundo tem uma pequena fissura que dá para um hall, mas antes de lá entrar fica parado para ver como as veias das nascentes se encontram. A água sai aos salpicos, a borbulhar na inocência da estreita contenção. Ferve quente num dos lados, ferve gelado noutra veia...
Thursday, September 28, 2006
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