Thursday, September 28, 2006

Os frascos de vários sabores espalhava-se pelas prateleiras, contornando as esquinas, sobrepondo-se nas camadas do invisível. Cada formato de vidro tinha sua especificidade, adornando-se ao seu conteúdo, à delicadeza de como o Monstro temperava os seus pólenes. Num dos lados da cabana situava-se uma cama em madeira. Por baixo da mesma tinha palha, que era colocada na cama quando queria repousar os ossos. Não suportava dormir em cima da madeira, precisava do afecto daquela cor dourada a transpirar dentro da pele. O toque da luz a aconchegar a alma do tormento. No centro encontrava-se um pilar que seguia até ao telhado, onde servia para pendurar objectos, roupas, uma candeia de azeite, machado, foice, entre outros. Do lado direito de quem entra, tinha um alçapão. Um sub mundo de mil portas que na escuridão escorria para dentro da terra. A pele já pesava devido ao calor do sol de quando esteve no exterior a rebolar as mãos pela madeira. Um tempo longo que o deixou a ferver, a ebulição das bolhas a saírem pelos poros, rasgos que no descanso iria regenerar. Pegou nos pedaços de palha seca, estendeu-as ao comprido no leito, a entrelaçar cada uma nas espessuras dos filamentos. A espiga permanecia no esqueleto e ficava sempre virada para os pés e para a testa. Seu corpo quente já estava a transpirar. Pegou numa toalha seca que se debruçava em cima da foice, e com toque afável desanuviou o cheiro intenso da humidade interna. Inspirou fundo o odor que vertia da toalha deixando a ossada balouçar para cima do manto dourado. Atirou com a toalha para o chão, o estrondo duma pedra bater no charco fez o eco. As paredes tremeram de prazer.

No comments: