Thursday, September 28, 2006


Paralisar o cérebro nos campos de cereais, a afunilar a fragrância do verão. Ele deposita cada músculo nu em cima da palha, absorvendo o calor, reduzindo seu ser à mistura de substâncias mágicas. A fascinação de levantar voo para cair num mar de chamas. O corpo começa a derreter, a transpiração fica a tricotar o sossego, os cabelos agasalham a barriga voltada para cima. Suas mãos abertas começam a resvalar na sua face, a descortinar as fibras molhadas que docemente começam a secar. Seu seio rígido erguia-se por entre os cabelos, os pêlos do peito como do frio gelado içavam-se pelo ar, por dentro da palha... As pernas alongavam-se até os dedos dos pés se enfiarem pelas espigas. Um respingar de fogo, num frenesim de corpo moldado. As mãos deslizam pelo peito abaixo, aninhando-se num vulto que subia nos dedos, a contrair espasmos de notas, a molhar as pétalas do cálice. Rasgos de fricção a abrir a fenda da lâmina, a arder nas palha, a exalar suores de prazeres. Dissipa cada parte de si em sentidos embriagados de mel, seus líquidos furam a fronteira da pele rompendo o perfume da transparência. As molas de cada músculo vibram de êxtase a libertarem-se, no roçar da vida que transborda dentro dele. Partículas de intenso sabor espalham-se pelo tronco, retendo sua mão no atrito suave da palha. A mão liquefeita seduz seus lábios ardentes de prazer, a sua língua serpenteia o dorso dos dedos a caminhar na sedutora sede de amar. De leve a alma apodera-se do corpo, juntando os canais do sémen no pentear da subsistência.

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